Bairro Paulo VI - Vidas simples e muitas memórias

Se você, amigo, conhece Campo Maior certamente conhece ou já ouviu falar do Bairro Paulo VI. Um cantinho periférico da cidade, muitas vezes esquecido e alvo de preconceito.
Quando você desce pela Rua São José no Bairro de Fátima e passa por baixo de um pontilhão da via férrea, hoje desativada, é como se você atravessasse um portal dimensional que o leva a uma outra dimensão. Uma dimensão chamada Paulo VI.
De cara você enxerga uma rua de piçarra onde durante muitos anos morou o seu Antônio Miguel. Figura conhecida, de conversa fácil e barriga saliente, tinha um comércio na esquina da Vicente Bengala com a 1° de Janeiro, que depois acomodou um outro comerciante, de nome Cristovão. 

O Sunguelo começou humilde com seu barzinho logo ali no "S" da rua, no encontro com o pontilhão. Hoje se você for na sua churrascaria no fim de semana vai ter que disputar mesa. 
O Raimundo continua no mesmo local, firme e forte, com sua mercearia e oficina. A Eliane mudou o nome da loja: agora se chama Caramelo Boutique. Vai lá ver as novidades! Dona Judite é uma testemunha da história do Bairro. Está ali no seu cantinho, lúcida e firme. Ali ao lado está o comércio da Baía (agente de saúde) e do Tatá, em frente a praça.

Dona Sindôca já não está mais entre nós. Dona Emília, no entorno da praça, é uma das primeiras moradoras a ter uma linha telefônica. Muitos iam a sua casa pra receber ou fazer chamadas. Quanta paciência, dona Emília! Ela continua no mesmo local, rodeada dos filhos e netos.

Dona Socorro Araújo mora a 70 anos no Bairro, ali na rua Boa Esperança. Ela conta que seu pai dizia que quando chegou no Paulo VI só tinha algumas poucas casas. Seu Luis Francelino, seu Antônio Celvino e a antiga casa da Fazenda Estrela (que hoje se tornou outro bairro, o Parque Estrela). 

A família Borges se instalou por aqui vindo do Ceará. Estão entre os pioneiros. José Borges do Nascimento era o patriarca. Seu Cícero Borges morou muitos e muitos anos na Boa Esperança. Pai do Antônio Luís, da Amparo e da Eliane. Naquela época "tudo aqui era só mato". Os Canudos tomavam conta de tudo. Dona Socorro conta que "tibungar" naquelas águas era a maior diversão dos jovens e das crianças. Amparo Borges lembra que muitos jovens se reuniam na estação do trem mesmo sem ter parentes chegando de viagem. Era apenas a diversão de ver o trem chegando na estação. Quantas lembranças!

Quem não lembra do seu Oliveira? "Olha o peixe, fresco!" Coisas que só quem é daqui vai entender e que nos remetem a um tempo em que não se sabia o que era bullying e afins.
Seu João Damásio é outro comerciante tradicional, dos tempos da quitanda. Seu Chico Pé de Pão, dona Neném Camelo, seu Barroso... Peço licença pra fazer menção a um episódio trágico que abalou toda a cidade, que foi a morte de sua filha, Rosângela, na flor da idade. Muito triste. E seu Jacó sapateiro então? Quem poderia esquecer esse tradicional morador do bairro? Mais de 50 anos na Rua 13 de Março.

Me permita voltar para a 1° de Janeiro. Nessa rua moramos por duas ocasiões, desde meados dos anos 80. Dos tempos em que a gente assistia televisão preto e branco, na casa da dona Preta e de seu Chico Ibiapina. Dona Cosma minha mãe, mulher de muitas lutas, aguerrida, ainda mora no mesmo local, próximo a UBS. Dra. Solange Okendo, enfermeira Conceição, que atuam ali no postinho, acabam se tornando pessoas próximas e amigas. 

Seu Chico da Brahma já nos deixou. Seu bordão era famoso: "Tranquilo e calmo!" Quase nunca estava sóbrio, mas sempre simpático e cordial. Nossos amigos Filho e Douglas partiram prematuramente. Tragédias da vida. Seu Manoel Camelo, dona Noêmia, Carlinhos, Da Luz, Mazé... Nossos vizinhos de longa data. Dona De Lourdes, mãe do cabo Nonato, do Alberto e do Reginaldo, lembra tempos de adolescência, das poucas preocupações, das revistas de super heróis e dos desenhos animados. Show da Xuxa, Show Maravilha... Tivemos uma infância feliz.

O amigo Epifânio, que todos só conhecem por Totô, atente a vizinhança desses lados dos Canudos com a sua mercearia. 

Todas as águas das chuvas de Campo Maior parece que descem pela nossa rua em direção aos Canudos. Até hoje isso é um problema. 

Seu Riba continua na luta como magarefe e a vacaria do seu Jerônimo ainda está lá no finalzinho da rua. Só mais um pouquinho de calçamento, uma passagem molhada e alcançamos a Nilo Oliveira.
Os moradores do Rabo da Gata não gostam desse nome. Trata-se da Rua João da Cruz Alves. Dizem que no início do bairro ela era só um rabinho de rua que sobrava pros lados de cá da linha do trem. Daí o nome "Rabo da Gata" que muitos querem esquecer. Faço menção a dona Belinha e seu comércio, o amigo Edimar das Éguas, líder político local, marido de Dona Penha, professora de matemática no 13 de Março. Quantas lembranças!
O Carboreto colocou manilhas e resolveu o problema daquela lagoa que se formava no pontilhão da Vicente Bengala, já mais pros rumos da Estação. As águas ainda hoje descem do sangradouro do Açude Grande e atravessam uma plantação de capim que fica ali entre a via férrea e a Avenida do Contorno. Ali, vizinho, fica um outro Bairro, o Tirol, mais conhecido como Boca do Inferno. 
Campo Maior e suas peculiaridades. Aqui termino minha singela homenagem ao meu querido e sofrido bairro. Peço desculpas aos muitos amigos que não mencionei. Não seria possível fazer referência a tantos. Um forte abraço!

Seu amigo e vizinho
Walton Carvalho

Comentários

  1. Meu bairro😊😊😊

    ResponderExcluir
  2. Belo texto meu amigo Walton, sou feliz por morar nesse bairro maravilhoso e poder através do seu texto relembrar de pessoas ilustres que por aqui passaram, e só nos deixa lembranças, agora você documentou isso! Show 👏

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado. Apenas uma singela homenagem.😄

      Excluir
  3. Que homenagem mais linda!!! 🥰
    Estou emocionada, feliz, coração cheio, transbordando de alegria. Obrigada por fazer essa homenagem tão linda! 😍

    ResponderExcluir
  4. Cidade maravilhosa e o melhor é conhecer pessoas aqui no estado de São
    Paulo ,vindas desse lugar esplêndido e serem as melhores pessoas do mundo ❤️minha vizinha Amparo de Campo Maior ,minha amiga querida do ♥️ amizade de mais de 20 anos ,amo demais 🌹

    ResponderExcluir
  5. Ahh que lindo, falou do meu paizinho Cicero Borges, sdss grande da minha terra.
    Obg pelo carinho 🤍

    ResponderExcluir
  6. Muito obrigado, pessoal! Foi com muito carinho que escrevi. Me sigam no Instagram: @walton.carvalho

    ResponderExcluir
  7. Muito bonita a homenagem não moro mais aí fiquei muito emocionado de lembrar da morte da minha irmã Rosangela adoro meu bairro.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Fazenda Carnaíba, você conhece? Saiba como estão as instalações do antigo FRIPISA, em Campo Maior

Pirão d'água sem farinha - Uma homenagem a Estevão Faustino

Polícia evita fuga de presos em Batalha-PI