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A dura vida no sertão - outros tempos, costumes e comportamentos

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  Quem reclama da sua vida hoje, não faz ideia da dureza do estilo de vida de outrora. Isso foi em meados dos anos 50, quando Cosminha, que hoje tem 74, quase 75, tinha apenas uns 5 anos. Mas ela lembra muito bem dos tempos em que era "besta pra achar graça" e só parava de gargalhar quando levava uns safanões de Dindinha, nossa vó Eugênia.  Dindinha tinha viajado do Alegre, onde morava com as crias nas terras de seu "Pelôim, para a casa de sua mãe, Maria Matias, no Poção, município de Campo Maior. Antes de sair ela chamou nossa tia Maria e deu as ordens de como tudo tinha que ser na sua ausência. A comida era contadinha, até os pedaços de rapadura que adoçavam o café eram contados para durar o tempo de sua ausência.  Tio Zé não entendia porque as coisas precisavam ser assim e, após o magro almoço de arroz com feijão sem mistura, pediu a Tia Maria um cafezinho para tirar o gosto.  "Não pode! A rapadura tem que durar até a mãe voltar. Se fizer café a...

A Cruz do Moleque - Você já ouviu falar desse conto de Campo Maior?

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  Na segunda metade do século XVIII, quando Campo Maior era apenas um arraial, denominado Surubim, havia ali um menino negro que pertencia ao padre Ananias, sacerdote da paróquia local. O moleque fora abandonado ainda bebê na porta da igreja, tendo sido criado pelo padre e por uma velha mucama. Não tinha nome. Era chamado por todos simplesmente “moleque”. O padre costumava mandar o moleque pegar doações de mantimentos entre os fazendeiros da região ao menos uma vez na semana, inclusive na Fazenda Barrinha, pertencente ao casal Polinário e Dorotéia. Com o falecimento de Polinário quem passou a administrar a fazenda foi o filho do casal, Luiz, que sempre mandava atender aos pedidos do padre, por meio do moleque, como o seu pai fazia. Porém, sua mãe, Doroteia, não gostava nada daquilo e cada vez ficava mais furiosa com a situação. Um dia, cansada de tudo, resolveu pedir a Jacó, escravo de sua confiança, que desse um fim no moleque. No dia seguinte, Jacó ficou no mato, de tocaia, esper...

Conheça o Museu Popular de Campo Maior

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Toda a estrutura física e o acervo estão prontos para serem abertos ao público, porém o museu ainda não funciona como deveria por falta de recursos. Faz-se necessário um convênio com o município para as despesas de funcionamento, inclusive para a manutenção de salários de funcionários. Quando se fala em museu em Campo Maior muita gente lembra do Zé Didor, mas há um outro museu na cidade, com um acervo riquíssimo que faz alusão, sobretudo, a história da capital dos carnaubais. Estamos falando do Museu Popular de Campo Maior, situado na Rua Mestre Antônio Neves, por trás do Colégio 13 de Março, no Bairro de Fátima, sob a curadoria do professor e historiador Assis Lima, muito conhecido na cidade e em toda a região. O ponto de partida para a concepção do museu foi o lançamento do livro “Campo Maior em Recortes”, de autoria de Assis Lima, que demandou muita pesquisa sobre o tema e fez com que o projeto ganhasse notoriedade e recebesse o apoio de figuras notórias da cidade, como o ex-prefeit...

A fundação de Campo Maior

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  Reginaldo Miranda Da Academia Piauiense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Piauiense Tem causado certa celeuma a fixação da data de fundação da aprazível cidade de Campo Maior, plantada em meio aos vastos carnaubais e campinas verdejantes do centro-norte do Estado do Piauí. Foi o padre Cláudio Melo, filho ilustre daquela terra, o primeiro historiador que percebeu ser a fazenda Bitorocara, do mestre-de-campo Bernardo de Carvalho e Aguiar, o núcleo inicial daquela comunidade. No entanto, apesar do tirocínio e das provas levantadas por aquele notável historiador, sempre houve contestações porque, de fato, existia um hiato, um ponto obscuro entre Bitorocara e Campo Maior. Mais recentemente, outro campomaiorense ilustre, o magistrado e acadêmico Elmar Carvalho vinha fazendo eco, como discípulo, às descobertas do padre Cláudio Melo. Em linha oposta surgiram alguns novos historiadores contestando essa tese e, consequentemente, a primazia de Bernardo de Carvalho e Aguiar na ...

Assistência social de Campo Maior realiza caminhada em alusão ao 18 de Maio

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Data celebra o combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Assistência Social de Campo Maior realizou uma caminhada em alusão ao 18 de Maio, dia dedicado à ênfase ao combate ao abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.  É sempre importante destacar que essa é uma luta de toda a sociedade. Abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes É CRIME e precisam ser denunciados e aquele que pratica precisa ser punido no rigor da lei.  Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes Um importante e delicado tema ganha destaque neste dia 18 de maio. Hoje é o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data que estimula a reflexão sobre o papel da sociedade civil no combate a esse tipo de crime. Além da conscientização, uma das formas mais eficazes de combater abusos e explorações é a denúncia, que pode ser feita por meio do Disque 100, um...

Fazenda Carnaíba, você conhece? Saiba como estão as instalações do antigo FRIPISA, em Campo Maior

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Esse artigo não se propõe a se aprofundar na história do Fripisa. Trata-se apenas de uma menção a esse verdadeiro ícone da capital dos carnaubais, que de tão importante, gerou até um bairro em torno de si. Você já ouviu falar de uma fazenda em Campo Maior chamada Carnaíba ? Não? Veja só, na Avenida Nilo Oliveira, que vai para localidade Fazendinha, em frente a Igreja de Nossa Senhora das Dores, ficam as antigas instalações do Frigorífico do Piauí SA, ou simplesmente, FRIPISA. Essa instituição era uma empresa estatal, pertentence ao governo do Estado do Piauí, fundado ainda nos anos 50 e instalado aqui em Campo Maior no ano de 1967. Tinha a premissa de incentivar a pecuária nessa região norte do Estado e Campo Maior sempre teve vocação para essa atividade econômica.  O Fripisa gerou emprego e renda para muitas famílias campomaiorenses. Infelizmente, por razões que desconheço, o empreendimento não deu muito certo e já nos anos 80, a situação da estatal não era...

Pirão d'água sem farinha - Uma homenagem a Estevão Faustino

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Nordestino raíz, seu Estevão Faustino sempre foi um amante da poesia de cordel. Deixou registrados em seus poemas, e em livro, os momentos mais marcantes de sua vida, que são, na verdade, a síntese da vida do sertanejo.  No ano de 1938, na comunidade Venâncio, ali pros lados da Panela, em Nossa Senhora de Nazaré, nascia Estevão Fortes Carvalho, ou, como era mais conhecido, Estevão Faustino. Venâncio foi a sua primeira morada, mas seu Estevão também morou no Angelim. Não aquele de Nazaré, mas o Angelim que fica pras bandas dos Corredores, em Campo Maior.  Foi marchante durante muitos anos de sua vida e também motorista de um caminhão com o qual fazia fretes na região. Mas o que deixou seu Estevão Faustino conhecido foram as poesias de cordel. O jornalista Arnaldo Ribeiro sempre exaltava o talento de seu Faustino, "analfabeto só de escola, nunca andou num colégio" , disse certa vez. Um nordestino experimentado na vida, sertanejo raiz das brenhas da capital dos carna...