A Cruz do Moleque - Você já ouviu falar desse conto de Campo Maior?

 


Na segunda metade do século XVIII, quando Campo Maior era apenas um arraial, denominado Surubim, havia ali um menino negro que pertencia ao padre Ananias, sacerdote da paróquia local. O moleque fora abandonado ainda bebê na porta da igreja, tendo sido criado pelo padre e por uma velha mucama. Não tinha nome. Era chamado por todos simplesmente “moleque”.
O padre costumava mandar o moleque pegar doações de mantimentos entre os fazendeiros da região ao menos uma vez na semana, inclusive na Fazenda Barrinha, pertencente ao casal Polinário e Dorotéia. Com o falecimento de Polinário quem passou a administrar a fazenda foi o filho do casal, Luiz, que sempre mandava atender aos pedidos do padre, por meio do moleque, como o seu pai fazia.
Porém, sua mãe, Doroteia, não gostava nada daquilo e cada vez ficava mais furiosa com a situação. Um dia, cansada de tudo, resolveu pedir a Jacó, escravo de sua confiança, que desse um fim no moleque. No dia seguinte, Jacó ficou no mato, de tocaia, esperando o moleque passar. Quando este veio, o hom1c1da estr@çalhou a cabeça do menino a pedradas. A vítima, apesar de já ter 12 anos, aparentava no máximo sete. Era raquítico e magrelo, não podia oferecer a menor resistência a Jacó. O jumento que carregava o menino voltou para casa sozinho nesse dia.


O padre preocupado, mandou iniciar buscas para achar o menino que era como um filho. Vendo a preocupação do padre, os fazendeiros da região ajudaram na busca, entre eles Luiz, filho de Doroteia. Somente após 3 dias do desaparecimento é que o cadáver do moleque foi encontrado.
O sacerdote, emocionado, mandou sepultar o moleque ali mesmo, onde colocou uma bela cruz de madeira e rezou uma missa. Quando todos os brancos saíram, foi a vez dos negros se despedirem do moleque. A velha mucama que tinha ajudado a criá-lo, fez uma magia e lançou uma maldição: os assassinos do moleque irão pagar por sua morte.
Na senzala todos tinham certeza de que Jacó fez tal atrocidade ao menino, a mando da velha Doroteia, que era tão ruim que possivelmente teria matado o próprio marido, servindo-lhe pó de vidro dentro de bebidas, e todos sabiam que ela não gostava das visitas do moleque.
Não se sabe se em razão do feitiço da velha negra, mas o certo é que depois de um tempo, os transeuntes, principalmente os negros escravos, passaram a ver a cruz do moleque brilhando em meio à mata. Os rumores se espalharam. Será que o moleque estava mesmo voltando pra se vingar dos que lhe fizeram mal? O certo é que, depois de pouco tempo após a cruz começar a brilhar, a velha Dorotéia, da Fazenda Barrinha, veio a falecer de forma misteriosa e repentina botando sangue pela boca.
Em seguida Jacó, o assassino do moleque, foi esquartejado após pirar e matar o seu senhor, Luiz, proprietário da Barrinha. A própria esposa de Luiz, que havia acabado de dar à luz, ao ver tamanha tragédia, vem a passar mal e morre, deixando seu bebê recém-nascido órfão.
As pessoas da região, principalmente os escravos, interpretaram tudo que sucedera às duas gerações daquela família, como obra do moleque, que tinha voltado para se vingar de seus assassinos. Fato é que, ao longo dos tempos, as pessoas passaram a ter o moleque como um mártir milagreiro.


A velha cruz, cercada por outras menores, tornou-se lugar de peregrinação, onde as pessoas passaram a fazer promessas para receber graças de sua alma milagrosa, de modo que, quando atendidos os pedidos eram ali depositadas velas e ex-votos. Até os dias de hoje, há ainda na região, a fé de que o moleque é santo milagreiro.
Resumo do conto extraído do site https://causosassustadoresdopiaui.wordpress.com/
Gravuras: Douglas Viana

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