Boqueirão do Piauí, você conhece?

Saindo de Campo Maior no sentido Parnaíba, a cerca de 30km, a esquerda, fica a entrada da PI 331 que leva as cidades de Boqueirão do Piauí e Boa Hora, e faz ligação com Barras do Marataoã.

Cerca de 25 km nessa rodovia estadual, passando pelas localidades Sambaíba, Olho D'água e Rua 10, voce se depara com uma pontezinha estreita, que só permite um veículo por vez, sobre o Riacho Fundo. Já ocorreram acidadentes naquele local. Geralmente por imprudência mesmo. A ponte é o ponto de referência para você saber que está chegando em Boqueirão. 
Mas ainda tem outro marco. E esse acaba se tornando uma agradável surpresa pra quem anda por ali a primeira vez. Trata-se de uma floresta de coqueiros, de ambos os lados da pista. A floresta se estende por uma distância considerável às margens do asfalto, causando uma sensação gostosa de frescor sob a sombra que ela proporciona. Prepare a câmera do celular, pois o babaçual ali rende ótimas imagens, ainda mais em combinação com um majestoso céu azul.

Boqueirão do Piauí foi desmembrada de Campo Maior e emancipada em 26 de janeiro de 1994. Uma cidade bastante jovem, com muita história a ser escrita. Tem cerca de 6.000 habitantes, espalhados pela zona rural e pela área urbana. Uma população calorosa e amiga. Se estende ao longo de duas avenidas, a Tancredo Neves e a Primavera.
A avenida Tancredo Neves começa logo na entrada da cidade, no sentido de quem vem da BR 343. Você é recebido por um ícone católico, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. A tradição religiosa é muito forte ali e se divide basicamente entre católicos e assembleianos. Circulando pela avenida é comum ouvir os louvores da Cassiane, da Shirley Carvalhaes e do Matos Nascimento ecoando das residências que ficam às suas margens. 

O primeiro estabelecimento comercial é o Posto Imperador. Tem o Shopping do Pintor, o Empório Boqueirão, o Comercial L. Almeida, entre muitos outros. Tem uma Assembleia de Deus Missão e uma Madureira. A Tancredo Neves termina no encontro com a Primavera, que surge das entranhas do Bairro Pequizeiro. Um posto da Petrobrás marca o ponto de encontro. 
A Avenida Primavera recebeu a população do antigo povoado Bom Assunto. Por ali fica o antigo Cemitério do Boqueirão, que já tinha esse nome antes mesmo da cidade assim ser denominada. As pessoas vinham das comunidades para rezar as novenas no antigo cemitério. E foi assim que a população começou a se estabelecer no entorno da Praça Agostinho Barbosa, pois ali foi construída a primeira capela. 

Há um grande templo assembleiano no centro da Primavera. Frequentemente cruzadas evangelísticas são realizadas em um terreno aberto que fica quase em frente e também numa praça de eventos que fica no Bairro Pequizeiro, em frente ao colégio Filomena Soares.

Ao longo da Avenida Primavera também encontramos o Armazém Paraíba, o comércio do Agamenon, a Panificadora Lira, e ainda muitos outros estabelecimentos. 

Numa rua paralela a Avenida Primavera, a São Conrado, temos uma outra igreja evangélica, a Comunhão e Vida. Ao lado fica a garagem da empresa de ônibus da família Conrado. Seu João Conrado, empresário conhecido em Boqueirão e Campo Maior, faleceu em abril de 2021. 
Andando para os lados da esquerda da avenida Primavera, a poucos metros, você se depara com áreas verdes que parecem intocadas. Tem inclusive mais coqueiros. Eles circundam toda a cidade. No final da parte asfaltada da avenida, entrando ainda para a esquerda, fica um posto de saúde. Quebrando a direita, temos a praça Agostinho Barbosa, a igreja matriz, vários estabelecimentos comerciais e a saída para Boa Hora, que fica a apenas 9 km em uma rodovia asfaltada. 

Cícero Pinto é um dos Pioneiros da cidade. Virou nome de rua no centro. Gentil Alves, Félix Soares e Pedro Coelho são também pioneiros entre muitos outros. A família Lira tem presença forte no município. Não é preciso andar muito para encontrar um representante. O irmão Chico Lira é um dos missionários pioneiros da Assembleia de Deus. Mora até hoje na Tancredo Neves com sua esposa, a irmã Inacinha.

Além do coco babaçu, o pequi tem presença marcante na cidade. É fácil encontrar pequizeiros apinhados em áreas abertas, ao alcance de todos. A cultura da mandioca é tradição secular. Existem várias Casas de Farinhada espalhadas pela cidade e pela zona rural. Aproveita-se o coco babaçu e temos o saboroso beiju de forno, o beiju de farinhada, que trás boas lembranças da infância. Ótimo com café preto. A agricultura familiar também é uma grande fonte de renda e de geração de alimentos para os boqueirãoenses. Jedalias Abreu é um grande incentivador. 

Todo o entorno da sede do município de Boqueirão é farto de vegetação típica desses lados do norte do Estado. Guabiraba e seriguela tem de ruma! Pitomba, manga, caju, jaca e até graviola. Tudo isso vi por lá. E olhe que nem explorei tanto a região.

Que o Todo-poderoso derrame bençãos sobre a cidade de Boqueirão. Que venham tempos de prosperidade e progresso para esse pequeno recanto do nosso Brasil.

Por Walton Carvalho


Referência: Como surgiu Boqueirão do Piauí, Jr. Balduíno

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