CIDADEZINHA QUALQUER


Se não me trai a memória, Drummond tem um poema com este título. Eu sabia o texto de cor, mas memória de velho é como promessa de político... O que importa: gosto de cidades pequenas. Não se trata de curiosidade malsã. Gosto liricamente, sem nenhuma razão específica.

Um exemplo: na semana passada, fui a Campo Maior. Pretexto: o "capote do Chico Nunes". Na verdade, eu queria mesmo era estender a vista na paisagem verde e me lembrar do poeto Dobal, que amava a zona rural de Campo Maior. Olhava, olhava e dizia: "Campo maior está para inglês ver". Num dos muitos passeios que fizemos à "terra dos carnaubais", o poeta me convidou para conhecer Nossa Senhora de Nazaré, cidadezinha que parece ter saído de um livro infantil.

No período das chuvas, a pequena cidade, cercada de água por todos os lados, parece um barco encalhado no meio do verde-novo...

Pouca coisa mudou na cidade desde aquela visita. Para minha alegria, a novidade foi rever a igrejinha pintada de ocre, com a data de sua construção estampada no frontal: 1917. Uma igreja centenária, pequena e acolhedora como deveriam ser todas as igrejas. 

Ao rever a pracinha, lembrei-me de uma imensa alegria que vivenciei ali. Quando presidi a Fundação Mons. Chaves, convenci o maestro Aurélio Melo a levar a Orquestra Sinfônica de Teresina para uma apresentação no pátio da igreja. Bonito de ver aquela gente simples, humilde, ouvindo atentamente cada peça executada pela OST. Guardo essa lembrança na memória com muito carinho.
Hoje, não consigo mais ir a Campo Maior sem visitar Nossa Senhora de Nazaré. Ali ninguém me conhece e minha presença silenciosa parece não perturbar a paz da cidade.
Como se pode ver, sou apenas um velho lírico, um "lírico incorrigível", como diria o Bandeira. 

Prof. Cineas Santos

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