Pirão d'água sem farinha - Uma homenagem a Estevão Faustino
Nordestino raíz, seu Estevão Faustino sempre foi um amante da poesia de cordel. Deixou registrados em seus poemas, e em livro, os momentos mais marcantes de sua vida, que são, na verdade, a síntese da vida do sertanejo.

Em 2013, em entrevista a TV Antena 10 por ocasião do Sabor Maior, seu Estevão contou como começou a escrever suas poesias. "Eu não podia ver um repentista batendo numa viola pra cantar repente, que eu ficava todo 'arrupiado'. Aí, eles cantando aquele negócio, eu pensei: isso aí dá pra mim fazer também".
No ano de 1938, na comunidade Venâncio, ali pros lados da Panela, em Nossa Senhora de Nazaré, nascia Estevão Fortes Carvalho, ou, como era mais conhecido, Estevão Faustino. Venâncio foi a sua primeira morada, mas seu Estevão também morou no Angelim. Não aquele de Nazaré, mas o Angelim que fica pras bandas dos Corredores, em Campo Maior.
Foi marchante durante muitos anos de sua vida e também motorista de um caminhão com o qual fazia fretes na região. Mas o que deixou seu Estevão Faustino conhecido foram as poesias de cordel. O jornalista Arnaldo Ribeiro sempre exaltava o talento de seu Faustino, "analfabeto só de escola, nunca andou num colégio", disse certa vez. Um nordestino experimentado na vida, sertanejo raiz das brenhas da capital dos carnaubais.
Estou profundamente triste com a morte do poeta e amigo Estevão Faustino. Um companheiro campomaiorense que conseguiu levar o nome de Campo Maior para todo o Brasil após aparecer, com destaque, em rede nacional de TV. Estou solidário com os familiares e amigos do poeta Estevão e presto minhas homenagens a esse honrado e aguerrido campomaiorense (Ex-prefeito de Campo Maior, prof. Ribinha).
Em 1956, aos 18 anos, casou-se com dona Antônia Monteiro de Carvalho, ou simplesmente Totonha, e com ela teve 7 filhos. O poeta conta em poesia detalhes do seu casamento e da vida a dois: "Quando eu vi a princesa já fiquei enlouquecido
Fui logo perguntando se queria casar comigo. Respondeu com muita fé: sou a futura sua mulher e você é meu marido."

Seu Estevão Faustino foi tema de reportagem também no programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga. O velho poeta teve suas rimas divulgadas em rede nacional. Que sucesso!
Bicho político, seu Estevão não escondia sua admiração pelo ex-presidente Lula. Fez uma poesia dedicada a ele e enviou para o petista, que respondeu agradecendo pela homenagem.
O jornalista Arnaldo Ribeiro tão logo descobriu a poesia de seu Estevão tornou-se admirador e amigo e sempre fazia referência ao talento nato do campomaiorense, que não sabia ler. Seu Estevão recitava os poemas na mente e uma de suas filha punha no papel.
Encontrei o Poeta Estevão Faustino na feira de Campo Maior. Ele é um cantador das coisas da terra e um contador de histórias emocionantes.É meu amigo (Arnaldo Ribeiro, no Instagram, em outubro de 2019).
Em 2017 Estevão Faustino reuniu o que pode do seu acervo de poesias e publicou tudo em um livro. Entre as tantas poesias havia uma da qual o poeta não esquecia. Se chama "Amarrei minha cabrita" e foi dedicada a dona Totonha, sua esposa.
"Tirei palha de carnaúba pra fazer nossa cazinha
Nós não tinha o que comer, nem um ovo de galinha
O amor servia de pão, completa a refeição com pirão d'água sem farinha.
No dia 4 de outubro de 2020, no auge da pandemia de coronavírus, seu Estevão foi internado do Hospital Regional de Campo Maior com dificuldade respiratória. Foi submetido a dois testes que deram negativo para covid-19. O estado de saúde agravou e o poeta foi transferido na madrugada do dia 5 para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT).
Segundo os familiares os médicos chegaram a cogitar a entubação, mas o poeta experimentou um melhora no quadro e foi transferido da UTI para a ala de repouso. Dizem que ele saiu cantando da UTI, com a alegria que lhe era peculiar. Porém, no dia 8 de outubro de 2020, Estevão Faustino faleceu.
Deixou família, muitos amigos e um legado em forma de poesia que não será esquecido.
Esta é uma pequena e singela homenagem a esse querido campomaiorense. Lembro dele quando eu atendia em um guichê de casa lotérica onde seu Estevão ia frequentemente fazer uma "fezinha".
Walton Carvalho
Um frande homem meu avô do coração ❤
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